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domingo, 4 de outubro de 2009

Istambul dos mil sonhos


Normalmente, costumo escrever sobre os livros depois de os acabar de ler. Neste caso não é necessário! Ainda que só tenha lido sete dezenas de páginas, já dá para dizer que estou apaixonada pelos relatos do prémio nobel turco.
Ao longo das páginas de "Istambul" desfolhamos não só a vida escritor, como a vida desta cidade crescida nas margens do Bósforo.
Talvez por já ter visitado a Turquia e Istambul. Talvez também por ter, tal como Pamuk, passeado de barco pelo Bósforo e pensado que estava num sonho ao olhar para as cupulas das mesquitas, para os minaretes e para os pálacios à sua beira plantados...
Como diz Pamuk, Istambul é como a quisermos ver. E se ele a viu, durante a infância, como um filme a preto e branco, numa época em que a cidade era mais suja que limpa, era pior iluminada do que é hoje, em que as pessoas se vestiam roupas escuras e tristes...Eu, ainda que olhe para as fotos de época com que ele acompanha os textos, vejo-a como uma cidade colorida. Colorida os milhares de produtos à venda no mercado, colorida pelo movimento acelerado dos comerciantes nas ruas, pela sumptuosa riqueza da Mesquita Azul e pelo magnífico jardim do Palácio Topkapi...
Pontuação:5

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

As relíquias e a salvação do mundo


Já não sei muito bem como é que este livro me veio parar às mãos.
Sei que foi oferta de uma revista, penso que A Sábado, há muitos meses atrás.
Não é que não tivesse muito mais literatura em casa para lêr...Mas decidi pegar nas 400 páginas de Gonzalo Giner.
A enredo gira em torno das relíquias cristãs e a crença eterna de que quem as possuir poderá dominar (ou mudar) o curso do mundo.
A acção é passada em paralelo no século XIII e na actualidade, com cruzadas, cátaros e templários.
Quem gosta destes temas e do mistério que ainda hoje encerram, gostará por certo deste livro.
Como não podia deixar de ser, também existe um romance à mistura e, neste caso, acho que a trama não foi tão bem conseguida. O desfecho pareceu-me bastante tolo e nada verosímil para personagens do século XXI.
Pontuação: 3

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Quando a mentira deixa de ser doce


"Henna tinha treze anos quando foi jovialmente casada com o filho mais velho de uma das melhores famílias de Calcutá, e o seu casamento foi conseguido através de uma audaciosa teia de mentiras".

É assim que começa o livro da jovem paquistanesa Roopa Farooki e foi este inicio de livro e capa lindissima que me levaram a comprar estas 300 páginas de letras.

Não fiquei desapontada. A história intrincada de três gerações do Bangladesh a Londres, dos anos 50 à actualidade, está bem contada. Roopa Farooki tem uma escrita muito fluida e que foge aos lugares comuns das descrições de romances banais, dando-lhe um toque poético bastante interessante. As personagens têm uma alma, a história tem um enredo (sem bem que a meio do livro não pareça).

Acho apenas que o livro acaba bem demais, com todas as almas redimidas do seu purgatório de mentiras. Como se os defeitos do ser humano fossem tão facilmente transformados. Quem gosta de finais felizes vai ficar muito satisfeito :)
Pontuação:4

terça-feira, 5 de maio de 2009

Teresa vai à feira

Hoje foi dia da tradicional visita à Feira do Livro de Lisboa.
É a única romaria que cumpro religiosamente já lá vão uns anos.

Este ano estava animada com a ideia de "troca de livros" (apesar de só ter um para a troca - um Ensaio do Saramago que recebi em duplicado). Afinal isso é uma iniciativa pontual e que acontecerá só na próxima semana.

Depois fiquei feliz com o novo horário (se bem que a minha actual vida de super dondoca me permite ir a qualquer horário). Mas não gostei das dezenas de livros encaixotados e o pessoal que se apressava a dizer :"ai, não sei se chegou, passe mais tarde".

Achei a feira muito mais pequena do que o habitual.

Achei os preços muito próximos da venda em loja. Descontos de 1,5 euros e 3 euros nos livros que trouxe. Não chamaria isto preço de feira...

Ainda assim, as aquisições foram estas:





Ficaram por comprar:
"Entre dois palácios", de Naguib Mahfouz
"Djamila", de Aitmatov Tchinguiz

Do primeiro haviam outros livros: "Pois, esse não temos. Acho que não está esgotado, não sei bem. Temos aqui estes? Não quer estes?" - Não, não quero!!! Queria é saber o que é que fazem os livreiros nas feiras se não levam livros!

Do segundo a cena ainda foi mais caricata: "Humm...tem a certeza que isso é nosso? Como é que se escreve? Espere vou ver no catálogo. Ah, pois é. Não sei...Espere...Vou perguntar ao colega. Pois, parece que tinhamos só 2 ou 3 na feira do ano passado. Ligue para a editora ou mande um mail e pergunte pelo livro. Pode comprar on-line. Peça para fazerem preço de feira" - Pois vou fazer isso! Vou fazer isso e perguntar porque raio não levam os livros para as feiras!

O que salvou a tarde foi comer um geladinho da Olá, enquanto esperava que passasse alguém conhecido...E não é que passou...

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Uma estranha leitura



Tenho uma mania...ou melhor...muitas...mas para o caso só interessa esta: gosto de escolher os livros que leio. Eu sei, é estranho...mas é a mais pura das verdades. Ora, neste Natal, entre "O Ensaio sobre a Cegueira" (que já tinha lido) e a "Viagem do Elefante" (de que falarei um dia destes), surge-me "O Anjo mais estúpido".

Humm...peguei no livro com nervosismo e tentando disfarçar a minha desconfiança. Afinal de contas foi oferecido pelo corajoso que continua a provar as minhas adaptações gastronómicas das sopas do Chakall...

Nem se se vos diga, se vos conte.
É que até ao momento nem sei se gostei...
É uma história surreal - ora o Garcia Marquez escreve história surreais e eu gosto;
Tem personagens destrabelhadas - ora o Eça também tem e eu gosto;
É escrito com humor - ora a Zadie Smith escreve com um humor cáustico e eu gosto;
Tem acção - ora o Dan Brown também tem e eu li (bastou o Código e os Anjos), mas li e gostei;
Tem uma linguagem um bocadinho vernácula - e aí não há nada a fazer, não gosto muito não!
Humm...somando positivos e negativos. Vá...valeu a pena subtrair 15 minutitos diários, durante 2 semanas, ao meu sono de beleza.

Deixo apenas uma pequena transcrição da aparição da minha personagem preferida: o Roberto

"Enterrou a cabeça no peito dele e abraçou-o, até que lhe sentiu um alto nas costas e o ruído de algo a arranhar violentamente o blusão. Empurrou-o para trás, no preciso momento em que um minúsculo focinho de cachorro de um morcego-da-fruta se assomava sobre o ombro do piloto. Lena gritava como um coelho preso numa trituradora.
- Que raio é isto? - perguntou elA, recuando no parque de estancionamento.
- É o Roberto - disse Tuck. - Já te tinha falado nele.
- É um animal esquesito demais. Tudo isto é esquisito de mais. - A seguir Lena começou a cantarolar e a andar em círculos, olhando para Tuck e para o morcego de dois em dois segundos. Depois disparou. - Ele está de óculos de sol.
- Pois está e não penses que é fácil arranjar uns Ray-Ban para um morcego-da-fruta".
Pontuação:3

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Um casal, duas bicicletas e mil aventuras


A primeira leitura do ano foi:

"Pedalar Devagar - Quatro anos de bicicleta pela Ásia"
Valérie e João Gonçalo Fonseca
Quetzal Editores
2008
332 pág.
Eu que me achava uma grande aventureira, por já possuir dois inter-rails no currículo, perdi rapidamente daí o sentido à medida que ia lendo as aventuras do João e da Valérie. Munidos de uns sacos-cama, "ração de combate" e muita força de vontade calcorrearam a pé, de bicicleta e à boleia 24 países!!

China
"Viam-se inúmeros ratos espalmados no chão, e os vendedores, empunhando as amostras mortas, gritavam o benefício do seu veneno contra estes roedores. Era difícil pararmos sem que uma multidão se juntasse à nossa volta e dezenas de hellos afluíssem..."
"O fondue de serpente estava delicioso. Demos os sumos da longevidade aos da mesa ao lado, uns jovens que riam hilariantemente, bebiam cervejas, desbastavam cobras, enchiam a mesa de ossos e o chão de lixo"
Tibete
"Lá dentro, o bule de chá, completamente carbonizado pelo fogo de esterco de iaque, estava sobre o lume, cujo fumo saía por um orifício no topo da tenda. O chá de manteiga era servido em taças de madeira que nunca chegavam a estar vazias"
India
"Nas margens do rio estão edificados inúmeros templos, pontes e escadas, estas últimas descendo para dentro de água. E há correntes presas para as pessoas se segurarem, pois o caudal é forte e os afogamentos não são raros nestes dias de festa em que se juntam grandes multidões"
Bangladesh
"No Banga Bazar as baiucas estão cheias de cores. É o paraíso dos costureiros, com tecidos de todas as espécies e linhas enroladas em dezenas de carrinhos encastelados. Algumas ruas são só para joalharias, quase todas pertencentes a hindus, e voltámos a encontrar os pósteres azuis e rosa, estátuas de deuses, e paus de incenso queimando e deixando o ar perfumado. Mais à frente os talhos muçulmanos vendem vacas mortas aos bocados"
Singapura
"A praia, tratando-se de uma paisagem criada artificialmente, com areia trazida doutros lugares, e coqueiros plantados, não era má de todo, mas a água era cinzenta e sempre turva"
Malásia
"Em Juara fizemo-nos forretas e dormimos na tenda, para poupar 1 dólar por dia, em vez de escolher um bungalow! A praia era fantástica: deserta, de areia alvíssima e coqueiro. No fundo do mar os corai formavam um esplendoroso jardim colorido, habitado por peixes tropicais, tartarugas e tubarões do recife. Ao entrarmos na água azul-turquesa e transparente, dezenas de raias fugiram num voo majestoso que levantava pequenas nuvens de areia"
Deixo-vos, apenas, estes pequenos apontamentos de viagem...
E, por mim, arrancava já em direcção à Malásia....

Pontuação:4